Fascismo!

 

Fascismo!

Fonte: Estado de S. Paulo |
Pouco antes, os intelectuais da França alertaram os europeus contra o terror fascista. E fizeram um diagnóstico preciso do fenômeno. O fascismo, disseram, “suprime todas as liberdades; retira dos indivíduos toda possibilidade legal de exprimir livremente sua opinião. As liberdades de reunião, de associação são anuladasA linguagem política e ideológica vive de lugares-comuns, cuja significação é indefinida. Em agrupamentos nos quais imperam os slogans, o discurso é sempre equívoco. Nos debates jornalísticos e acadêmicos dos últimos dias, um signo retorna com força. Refiro-me ao apelativo “fascismo”. Antes, faço uma pequena digressão.

Os slogans importam porque integram as técnicas de poder. Como enuncia uma psicanalista, “toda prática linguística repetitiva veicula uma potência de hipnose que leva o indivíduo rumo a comportamentos sociais ou mentais estereotipados” (Shoshana Felman). A cultura política conhece a fina observação de Thomas Hobbes: na maioria das pessoas “o costume tem um poder tão grande que, se a mente sugere uma palavra inicial, o resto das palavras segue-se pelo hábito, e elas não são mais seguidas pela mente. É o que ocorre entre os mendigos quando rezam seu paternoster. Eles unem tais termos com os que aprenderam de suas babás, companhias ou professores e não têm imagens ou concepções na mente para responder às palavras que enunciam. Como aprenderam, ensinam a posteridade” (The Elements of Law).

A ética expõe formas de pensamento e de ação que se tornaram automáticas. Uma vez prescrito e interiorizado, certo modo de ser é repetido sem maiores reflexões. Caso a pedagogia se fundamente em valores positivos, a vida pública se beneficia. Se ocorre o contrário e o ensino segue parâmetros corruptos, os indivíduos e associações que os assumem arruínam a sociabilidade. Gritar um lugar-comum entra no rol dos automatismos éticos desprovidos “de imagens ou concepções”.

Com o domínio do slogan, um religioso grita “fascismo” sempre que prerrogativas ou privilégios de sua grei são postos em dúvida. Se um conservador enfrenta críticas sobre as tradições a que se apega, logo ergue o grito de “fascismo” contra os oponentes. Quando as esquerdas não conseguem controlar setores opostos aos seus alvos, a palavra que vem aos lábios dos militantes é… fascismo. E assim por diante.

George Orwell, atacado por todas as facções políticas de sua época, tem um instrutivo escrito sobre o tema. Ele inicia com o mais óbvio: “A leitura atenta da imprensa mostra que, praticamente, nenhuma categoria de indivíduos deixou de ser qualificada de fascista”. O mais relevante, no meu entender, encontra-se na seguinte tese do autor: “Mesmo os que lançam a palavra ‘fascista’ para todos os ventos lhe atribuem, no mínimo, um significado emocional. Por ‘fascismo’ eles entendem, grosso modo, algo cruel, sem escrúpulos, arrogante, obscurantista, antiliberal e contrário à classe operária”.

Termina Orwell indicando ser impossível encontrar uma definição do fato que seja aceita por todos. “É impossível definir o fascismo de modo satisfatório sem admitir certas coisas que nem os próprios fascistas, nem os conservadores, nem os socialistas de todas as cores estão dispostos a admitir. Tudo o que podemos fazer, agora, é usar a palavra com certa circunspecção, e não, como se faz geralmente, rebaixá-la ao nível da injúria” (What is Fascism?, 1944).

Pouco antes, os intelectuais da França alertaram os europeus contra o terror fascista. E fizeram um diagnóstico preciso do fenômeno. O fascismo, disseram, “suprime todas as liberdades; retira dos indivíduos toda possibilidade legal de exprimir livremente sua opinião. As liberdades de reunião, de associação são anuladas. Não mais existe liberdade de ensino nem de imprensa. Tais liberdades não são respeitadas por nenhuma ditadura. Mas a fascista se caracteriza por uma técnica aperfeiçoada de opressão, completa, metódica e implacável. Nos primeiros tempos da ditadura os golpes, os assassinatos, o terror são os principais meios de controle. Mas os meios legais rapidamente se desenvolvem, sempre sancionados, aliás, por uma repressão ignóbil” (O que é o Fascismo?, Manifesto de intelectuais em 1935. O documento original pode ser lido em Gallica.bnf.fr/).

Orwell e os intelectuais franceses, embora empenhados na luta contra o terror fascista, refletiram sobre ele sem cair na repetição automática do nome, à guisa de exorcismo ou injúria. As coisas “que nem os próprios fascistas” e seus adversários admitiriam vieram com o Holocausto, a morte industrializada sob comando de burocratas movidos por slogans. O fascismo, até no seu nome de batismo, é ameaça demasiado terrível e não deve ser admitido na luta política democrática. A banalização do uso atenua a sua essência, dissimula seu advento.

No Brasil, em vésperas de eleição decisiva para todos nós (em todos os matizes ideológicos), ensaiemos a forma e o conteúdo democráticos. Não existem, numa sociedade civilizada, inimigos políticos a serem perseguidos ou injuriados, mas seres que refletem e divergem quanto aos fins e aos meios na edificação do bem comum.

Ao falar do fascismo no prefácio do amaríssimo Animal Farm, o mesmo Orwell proclama: “Se a liberdade tem algum sentido, ela significa o direito de dizer ao povo o que ele não quer ouvir”. Assim opera o pensamento político. O uso da propaganda para exterminar inimigos é a via reta para os fascismos. Os povos dominados por aqueles movimentos e partidos só ouviram os seus mestres. As sociedades desfeitas pelas injúrias foram tragadas pelas palavras imprudentes ou por slogans gastos nas batalhas pelo poder.

O fascismo não admite distinções entre esquerda e direita, pois exige obediência absoluta às palavras de ordem do partido único. Quem perde a liberdade de enunciar “o que o povo não quer ouvir” é visto como besta-fera a ser perseguida. Fantasmas invocados costumam atender às preces dos aprendizes de feiticeiro, trazendo pesadelos coletivos.

Circunspeção diante da palavra e da coisa!

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Michelin investit au Brésil

Michelin croit et investit au Brésil

Le président du fabricant de pneumatiques français pour la zone Amérique du Sud est le premier invité de l’entretien du mois de la nouvelle newsletter mensuelle lancée en octobre par la Chambre de commerce France-Brésil (CCFB) de Rio, partenaire du Petitjournal.com. En poste depuis 2009, Jean-Philippe Ollier, 52 ans, revient sur les activités de Michelin au Brésil et les relations franco-brésiliennes au niveau économique.

CCFB : Actuellement, quelles sont les attentes de Michelin pour le marché brésilien ?
Jean-Philippe Ollier : Dans la stratégie globale de Michelin, le Brésil fait partie des priorités de l’entreprise à côté de la Chine et de l’Inde. Le Brésil est responsable pour 70% des facturations de la compagnie en Amérique du Sud, cette région correspond aujourd’hui à 10% de la recette globale de l’entreprise. Le marché brésilien a un taux de motorisation encore très bas. Il existe un potentiel de croissance important. Il y a au Brésil 200 véhicules pour 1.000 habitants. Aux Etats-Unis 900 et en France 700. En même temps, les conditions économiques favorisent le développement d’une classe moyenne plus importante et plus exigeante. Donc même si le marché brésilien n’a pas eu la croissance espérée, le potentiel est énorme et très fort. Un autre point à relever est que le Brésil possède encore des domaines où les possibilités de développement restent très importantes, comme les infrastructures et l’énergie. L’incitation à l’innovation est également un moteur important pour l’augmentation de la compétitivité nationale. Sans aucun doute, la capacité d’innovation est un facteur clé pour la compétitivité nationale.

Comment la faible croissance du pays et les problèmes économiques et politiques affectent la stratégie d’investissement de l’entreprise au Brésil et pour le reste de l’Amérique de Sud ?
Nous vivons un moment spécial de l’économie, mais notre vision est sur le long terme. Nous croyons et nous investissons au Brésil, l’expansion de notre usine de pneus de loisirs et de camionnettes à Itatiaia en est la preuve. Nous avons annoncé cet investissement en janvier 2009, au plus fort de la crise, ce qui renforce notre vision à long terme. Nous avons des années meilleures que d’autres, mais la tendance est à la croissance. Nous devons observer l’évolution des transports dans le pays et rester attentif à son évolution pour anticiper les solutions (produits et services) qui transformeront le marché et le rendront plus sûr, plus économique et plus propre, donc plus durable. Michelin est en train d’investir un milliard d’euros sur la période 2011-2016 dans le pays à destination de l’innovation de produits et services principalement sur le triptyque : augmentation de la sécurité, réduction des coûts et minimisation de l’impact sur l’environnement des transports.

En travaillant dans une entreprise française au Brésil, comment voyez-vous l’intégration commerciale entre les deux pays ?
Au Brésil, nous importons des pneus d’origines diverses, aussi bien d’Europe que d’Amérique du Nord. Pour les pneus automobiles, ces importations joue le rôle de précurseur pour le début de notre production locale, notre stratégie est de fabriquer au Brésil pour le Brésil. Nous avons inauguré en septembre 2013 une usine de pneus automobiles, la plus moderne du Groupe Michelin, elle est destinée au marché brésilien de renouvellement et de premier équipement.

Quelles sont les principales différences dans la culture organisationnelle entre le Brésil et la France ?
Indépendamment des différences, nous avons une culture Michelin qui se traduit principalement par ses valeurs : le respect des clients, du personnel, des actionnaires, aux événements et à l’environnement. Cette culture est diffusée dans tous les pays où Michelin est présent. Dans les organisations actuelles, il est toujours plus important d’avoir des collaborateurs qui ont une perception globale et une sensibilité culturelle forte. La diversité est un facteur important du succès.

L’implantation de nouvelles usines d’industries lourdes comme BMW peut stimuler encore plus le marché du pneu ? Michelin prétend rechercher des partenaires pour reprendre une des plus grosses usines de l’industrie pneumatique ?
Oui, bien sûr. Arriver dans les chaines de montage est une des stratégies de Michelin pour doubler sa participation dans le marché brésilien de pneus automobiles qui est estimé, selon l’ANIP (Association nationale de l’industrie pneumatique brésilienne), à 8%. Nous croyons encore au nouveau régime d’incitation INOVAR-AUTO pour augmenter notre participation dans les usines. L’objectif de INOVAR-AUTO est d’augmenter de 12% l’efficacité énergétique de la flotte brésilienne, ce qui doit se traduire par une économie de combustible de 13,6% jusqu’en 2017.

Quelles sont les objectifs de l’entreprise pour les prochaines années ?
Jusqu’en 2015, le groupe Michelin prévoit d’augmenter ses ventes de 25% dans le monde (au Brésil, ce ne sera pas différent, nous venons en effet d’inaugurer une nouvelle usine TC et d’augmenter la production de pneus poids lourds).

Propos recueillis par la CCFB, traduction de Damien LARDERET (www.lepetitjournal.com – Brésil) lundi 18 novembre 2013

– Lire l’intégralité de l’entretien sur la newsletter de la CCFB

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